CASO ORELHA: A MORTE DO CÃO COMUNITÁRIO
A morte brutal do cão comunitário conhecido como Orelha na Praia Brava, em Florianópolis (SC), tornou-se um dos casos mais comentados no Brasil em janeiro de 2026, não apenas pela violência das agressões, mas pelas implicações legais e sociais que envolvem menores de idade, alegações sobre influências familiares e críticas à imparcialidade judicial.O QUE ACONTECEU
Orelha era um cão de aproximadamente 10 anos que vivia na Praia Brava sob os cuidados espontâneos da comunidade, sendo alimentado e protegido por moradores e frequentadores do bairro.
No início de janeiro, ele foi agredido de forma extremamente violenta: segundo as investigações oficiais, o animal foi atacado com pauladas na cabeça e deixado em estado grave na mata próxima à praia. Encontrado agonizando por moradores, o cão ainda foi levado a atendimento veterinário, mas, devido à gravidade dos ferimentos, foi submetido à eutanásia para evitar sofrimento adicional.
INVESTIGAÇÃO POLICIAL E AÇÃO DA JUSTIÇA
A Polícia Civil de Santa Catarina instaurou inquérito para apurar as agressões e a morte de Orelha. Nesta segunda-feira (26/01), a corporação realizou uma operação com três mandados de busca e apreensão nas residências de adolescentes suspeitos e de adultos apontados por possíveis coações no processo investigativo. Foram apreendidos celulares, notebooks e outros dispositivos eletrônicos para perícia.
Ao menos quatro adolescentes são identificados oficialmente como suspeitos de participação direta nas agressões ao animal. A investigação também apura se houve coação de testemunhas, inclusive envolvendo adultos ligados aos investigados.
O caso está sendo acompanhado pelo Ministério Público de Santa Catarina, por meio da 10ª Promotoria de Justiça da Capital (Infância e Juventude) e da 32ª Promotoria da Capital (Meio Ambiente), sendo esperado oitiva formal dos adolescentes nos próximos dias para definição de medidas socioeducativas.
REPERUSSÃO JUDICIAL: DECLARAÇÃO DE SUSPEIÇÃO
Em um desenvolvimento que levantou questionamentos públicos, a juíza inicialmente designada para acompanhar as medidas judiciais relacionadas ao caso declarou-se suspeita para atuar no processo. Conforme despacho divulgado em portais jurídicos, a magistrada alegou manter relação de amizade íntima com familiares de um dos investigados, motivo que, segundo o Código de Processo Civil, configura causa legal de suspeição e compromete a imparcialidade.
Essa situação alimentou críticas nas redes sociais sobre possíveis influências ou favorecimentos associados às famílias dos menores envolvidos, ainda que não haja confirmação de envolvimento de autoridades públicas ou profissionais do judiciário em irregularidades — apenas a declaração formal de impedimento da juíza por motivos de vínculo pessoal.
REPERTÓRIO SOCIAL E ACUSAÇÕES CIRCULADAS ONLINE
Nas redes sociais, além da ampla mobilização em favor da punição aos responsáveis e protestos em Florianópolis, circulam alegações de que os menores envolvidos pertencem à elite da cidade, inclusive com comentários que um dos pais seria proprietário de um hotel de luxo em Florianópolis e que os envolvidos teriam facilidades sociais e econômicas que influenciariam o tratamento do caso. Essas afirmações são circuladas em comentários de usuários e não foram confirmadas por fontes oficiais até o momento.
Outro ponto que ganhou visibilidade nas redes é que dois dos adolescentes estariam em viagem aos Estados Unidos (Disney, Orlando) no período posterior imediato ao crime, segundo declarações de autoridades policiais relatas em imprensa regional. Segundo a Polícia Civil, a viagem já estaria programada antes das agressões, e os jovens devem retornar em breve ao Brasil para prestar depoimentos.
PROTESTOS E MOBILIZAÇÃO PÚBLICA
A morte de Orelha levou a manifestações públicas na Praia Brava, com moradores e protetores de animais pedindo justiça e visibilidade ao caso. A hashtag #JustiçaPorOrelha ganhou tração nas redes sociais, respaldada por influenciadores e organizações em defesa dos direitos animais.
Artistas e ativistas, incluindo a conhecida ativista Luisa Mell, também comentaram o caso, trazendo foco nacional às discussões sobre crueldade animal e responsabilização penal, especialmente quando os suspeitos são menores de idade.
ASPECTOS LEGAIS
No Brasil, atos de crueldade contra animais configuram crime sob o artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998). Quando cometidos por menores de idade, a responsabilização ocorre no âmbito do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), com aplicação de medidas socioeducativas proporcionais ao ato infracional, após oitiva e análise das provas reunidas.
PERSPECTIVAS
As investigações ainda estão em andamento. A Polícia Civil, o Ministério Público e as instâncias judiciais competentes devem seguir com a coleta de provas, oitivas e encaminhamentos legais, a partir dos elementos reunidos no inquérito. A expectativa é que, ao final dessa fase, seja possível definir medidas socioeducativas ou outras providências legais cabíveis.

