
O Tribunal do Júri da Comarca de Candelária inicia o calendário de sessões de 2026 com um caso de grande repercussão na região. No próximo dia 20, o réu Anderson Leandro de Carvalho Soares será levado ao banco dos réus, acusado de matar a ex-companheira Tamiris Soares de Melo, de 18 anos, e o atual companheiro dela, Tales Júnior Francisco da Silva, de 25 anos.
O crime ocorreu em 21 de fevereiro de 2024, na localidade de Rincão da Lagoa, interior do município. Conforme a investigação, Tamiris teria ido até a casa de familiares do ex-companheiro, acompanhada de Tales, para buscar o filho que tinha com o acusado. No local, uma discussão teria evoluído para violência, quando Anderson teria efetuado disparos contra o casal.
Após os tiros, segundo a apuração policial, o acusado teria colocado as vítimas no veículo Ford Focus pertencente a elas, posicionando Tales no banco do carona e Tamiris no banco traseiro. O carro foi posteriormente abandonado em uma área de lavoura, a cerca de dois quilômetros do ponto inicial do crime.
Dois dias após o ocorrido, com a prisão já decretada, Anderson se apresentou à polícia acompanhado de advogado. Em depoimento ao delegado responsável pelo caso, ele admitiu os disparos, mas alegou ter agido ao supor que Tales buscaria uma arma no interior do veículo. Desde então, permanece preso no Presídio Estadual de Candelária.
O réu foi pronunciado por dois homicídios qualificados, sendo um deles enquadrado como feminicídio. Entre as qualificadoras apontadas estão o motivo fútil e o recurso que dificultou a defesa das vítimas, circunstâncias que, se reconhecidas pelos jurados, podem agravar significativamente a pena.
Falamos com uma das mães de uma das vítimas que disse o seguinte:
“A gente não quer vingança, quer justiça. Nada vai trazer eles de volta, mas quem fez isso precisa responder pelo que fez e assumir as consequências.
É uma dor que não tem explicação. Só quem perde um filho sabe o vazio que fica. A nossa família foi destruída. O mínimo que esperamos é que a justiça seja feita.”
Ela ainda fala sobre ser forte neste momento:
Além do vazio que ficou só queremos justiça até porque a gente segue hoje muito forte pelo filho dela que ficou sem a mãe que na época ele tinha apenas três anos de idade.
A defesa será conduzida pelos advogados Milton Alves dos Santos Bragança, Lidiele Cunha Petry e Juliana Inácio Gonçalves. A acusação ficará a cargo do promotor de Justiça Martin Albino Jora. A sessão do júri será presidida pelo juiz Celso Roberto Mernak Fialho Fagundes.
O julgamento marca a retomada das sessões do Tribunal do Júri na comarca em 2026 e deve atrair atenção da comunidade, diante da gravidade do caso e da comoção gerada à época do crime.



