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Moradora é denunciada por racismo contra indígenas em Santa Cruz do Sul e caso chega ao MPF

Uma denúncia formal envolvendo suposta prática de racismo contra povos indígenas em Santa Cruz do Sul acendeu o alerta sobre os limites entre opinião e discurso de ódio nas redes sociais. O caso já foi levado ao Ministério Público Federal e pode ter desdobramentos jurídicos relevantes.

Segundo informações obtidas, uma moradora do município teria realizado uma publicação em rede social relatando que tratou de forma hostil indígenas que estariam comercializando produtos em frente a um mercado no centro da cidade. A postagem, que repercutiu, foi posteriormente apagada, mas já havia sido amplamente compartilhada.

Diante disso, o Conselho Indigenista Missionário, por meio da regional Sul, formalizou uma Notícia de Fato solicitando investigação. A entidade sustenta que o conteúdo publicado extrapola o direito à liberdade de expressão e pode configurar incitação ao preconceito, discriminação e discurso de ódio.

O que diz a denúncia

De acordo com trechos da Notícia de Fato protocolada, as manifestações atribuídas à autora apresentariam caráter:

  • ofensivo e desumanizante
  • com generalizações depreciativas contra indígenas
  • com potencial de estimular hostilidade social contra um grupo étnico

Ainda conforme o documento, esse tipo de conduta pode, em tese, se enquadrar na legislação brasileira como crime, especialmente com base na Lei nº 7.716/1989, que trata de crimes resultantes de preconceito de raça ou etnia.

Investigação pode ser aberta

O pedido encaminhado ao MPF inclui:

  • apuração da autoria e materialidade
  • análise das publicações
  • eventual responsabilização penal
  • medidas para evitar a continuidade da divulgação de conteúdos discriminatórios

Vale destacar um ponto crítico: não há, até o momento, decisão judicial confirmando culpa ou condenação. Trata-se de uma denúncia formal que será analisada pelas autoridades competentes.

Nota do CIMI Sul reforça gravidade

A regional Sul do CIMI, com base em Chapecó, afirma que não é possível relativizar esse tipo de manifestação. Segundo a entidade, discursos com esse teor contribuem para aprofundar a exclusão histórica enfrentada pelos povos indígenas e podem gerar efeitos concretos de violência e discriminação.


NOTA NA ÍNTEGRA – CIMI SUL

Cimi Sul denuncia racismo contra indígenas ao MPF no RS

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi Sul) protocolou no Ministério Público Federal (MPF) uma Notícia de Fato denunciando prática de racismo, incitação ao ódio e discriminação contra povos indígenas em Santa Cruz do Sul (RS).

A denúncia refere-se a uma publicação em rede social, feita por Silvia Thier, que utilizava linguagem ofensiva e desumanizante, além de incentivar o boicote à comercialização de produtos por indígenas no município. Embora o conteúdo tenha sido posteriormente removido, a entidade ressalta que sua disseminação já havia ocorrido.

A manifestação, no entendimento do Cimi Sul, ultrapassa os limites da liberdade de expressão e configura discurso de ódio, atingindo não apenas indivíduos, mas todo um grupo étnico.

Em função disso foi solicitado, junto ao Ministério Público Federal, a apuração dos fatos, a responsabilização da autora e a adoção de medidas para garantir a proteção dos povos indígenas, especialmente no exercício de suas atividades econômicas.

O Cimi Sul reforça que não é possível tolerar manifestações discriminatórias, sob pena de aprofundar a exclusão e a violência histórica sofrida pelos povos indígenas.

Chapecó, 08 de abril de 2026.
Cimi Sul

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